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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Apóstolos, discípulos, multidão

Os Evangelhos distinguem com precisão três níveis no círculo dos que acompanhavam Jesus.

O primeiro e mais próximo era o grupo formado pelos doze apóstolos, um punhado de discípulos escolhidos por Jesus, após ter passado uma noite inteira em oração a Deus. A palavra apóstolo vem do vocábulo grego e significa enviado. Tratava-se de um termo de caráter jurídico bastante comum no judaísmo da época. O apóstolo era o representante plenipotenciário de quem o enviava. No caso de Jesus, ele conferia a seus enviados plenos poderes para representá-lo. Daí a importância de escolhê-los com muito discernimento. O sucesso de sua obra dependia do bom desempenho deste grupo seleto.

Os discípulos formavam um círculo mais amplo, composto por todos quantos aderiram a Jesus e se esforçavam por conformar suas vidas com os seus ensinamentos. Os discípulos do Senhor distinguiam-se dos discípulos dos rabinos. Supunha-se haver entre eles e o Mestre uma profunda comunhão de vida. Eram instruídos pela contemplação do comportamento do Mestre, que ensinava com seu exemplo. Casuísmos e teorias não tinham sentido na escola de Jesus.

A multidão era o círculo dos curiosos que esperavam ser beneficiados pelo Mestre, sem, contudo, a intenção de se comprometerem mais profundamente com ele. É desta multidão que surgirão novos discípulos que livremente irão optar por seguir o Senhor.

Em qual dos grupos nos encaixamos?
- Pe. Jaldemir Vitório -

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e renova a face da terra!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um projeto de vida

As profecias do Antigo Testamento ajudaram Jesus a compreender sua identidade e missão. Um texto do profeta Isaías foi-lhe extremamente útil. Nesse texto encontramos o monólogo de alguém que voltara do exílio babilônico e expressava a consciência de sua missão: reorganizar o povo, após sua total destruição por mãos de Nabucodonosor. Isaías tinha consciência de ser um profeta, nos moldes do Servo de Javé, cuja missão era a de infundir ânimo e esperança no povo, descortinando-lhe horizontes, e trazendo-lhe libertação.
Foi essa a trilha que Jesus seguiu. O evento de seu batismo constituiu-se numa verdadeira consagração por parte do Pai para a missão que estava prestes a ser iniciada. Os destinatários preferenciais de sua ação missionária foram os pobres, os humilhados e injustiçados, toda sorte de prisioneiros e oprimidos, as vítimas da cegueira física e espiritual. Sua ação, por ser ele o Filho de Deus, era portadora de alegria semelhante à do ano jubilar, quando todas as dívidas e servidões eram abolidas e as pessoas tinham, novamente, sua dignidade reconhecida. O texto profético era um resumo perfeito do projeto de vida de Jesus.
- Pe. Jaldemir Vitório -

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O valor infinito do Reino

Quanta coisa o discípulo deixa de lado quando abraça o Reino! O eventual sentimento de perda - por ter que abrir mão de coisas às quais se tinha apegado - é superado quando descobre o valor infinito do Reino de Deus.
O Reino e Deus não são duas entidades distintas. São uma só e mesma coisa. O Reino é Deus atuando na história humana com o fito de resgatá-la do pecado. É o Criador buscando libertar a criatura humana de tudo quanto a oprime e a mantém escravizada. É o Senhor de todas as coisas que recupera o senhorio absoluto sobre cada ser humano e sobre a História, instaurando o regime do perdão e da graça. É o triunfo da misericórdia, da solidariedade, da partilha, da fraternidade, da justiça!
Existem elementos claramente incompatíveis com o Reino. O discípulo desde logo reconhece ser impossível combiná-los com a sua opção, e percebe a importância de deixá-los de lado. Entretanto, existem bens que não são incompatíveis com o Reino. No entanto, em determinado momento, o discípulo descobre tratar-se de bens menores que devem ser substituídos por um bem maior.
- Pe. Jaldemir Vitório -


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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A aparência visível da glória do Senhor

Muitos fiéis têm conceito de Deus bem mesquinho.
 E nós? Não vemos , não sentimos a Deus; que faz ele, por que não intervém? Ezequiel (Ezequiel capítulo 1) nos comunica forte experiência da transcendência de Deus. Em imagens longínquas no tempo, há aí mensagem válida ainda hoje.
Deus não está ligado nem ao templo, nem à terra prometida; está em toda parte, vê e conhece tudo, especialmente os nossos males. Manifesta-se no lugar de exílio; é força, ação, luz... Deus é imprevisível, tremendo, mas não terrificante; é esplendor, glória, vida. E manifesta-se sobretudo “em forma humana”, próximo do homem; tem rosto, coração...
Ezequiel convida a “ver” a presença e ação de Deus nas vicissitudes da história. Nestas há outra realidade que é obra de Deus. Onde tudo parece ruína, ele atua para salvar, para libertar o homem em profundidade. Há sempre uma salvação oferecida por Deus. Podemos manifestar aos outros a face humana de Deus, a mão amiga, o bom coração.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A multidão saciada

A multiplicação dos pães, narrada nos Evangelhos, prefigura a Eucaristia celebra­da na comunidade cristã. Ela foi fruto da partilha. Alguém colocou à disposição dos demais o que tinha para o próprio sustento. Na Eucaristia, é Jesus quem partilha a si mesmo, dando-se em alimento para todos.
Na multiplicação dos pães, foi alimentada uma multidão, que se encontrava num deserto. A Eucaristia alimenta a comunidade cristã, caminheira pelos desertos do mundo rumo à casa do Pai. Na multiplicação dos pães, ninguém foi deixado de lado. Todos puderam comer até ficar saciados. De igual modo, na Eucaristia, sendo ceia de fraternidade, ninguém pode ser excluído. Homens, mulheres e crianças são todos bem-vindos, pois existe alimento para todos.
A Eucaristia é celebrada como preanuncio da ceia eterna no Reino de Deus, quando o Pai reunirá, em torno de si, todos os seus filhos e filhas.
- Pe. Jaldemir Vitório -

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Com más intenções

Os milagres de Jesus despertavam a curiosidade de seus adversários.
 Escribas e fariseus queriam presenciar um milagre (Mt 12,38-42), embora não nutrissem nenhum amor por Jesus, nem tivessem respeito por ele. Queriam reduzi-lo a um milagreiro vulgar, cujos pretensos gestos poderosos são a maneira de se exibir, quando não, de iludir o povo. Jesus se recusa a satisfazer-lhes os desejos, porque não aceitavam seus milagres como credenciais da origem divina de sua missão.
O pedido dos adversários de Jesus foi, em parte, atendido. Um sinal lhes seria oferecido: o Filho do Homem ficaria três dias e três noites no seio da Terra, tempo transcorrido por Jonas no ventre de um monstro marinho. Eles, portanto, teriam a Ressurreição como sinal para compreender quem, afinal, era Jesus.

O Mestre não se enganava em relação a seus interlocutores. Por serem mal-intencionados, fechados para a sua pregação, dificilmente seriam capazes de acolher a Ressurreição como sinal de sua identidade. Eram dignos de condenação. Tendo a possibilidade de achegar-se a Deus mediante a ação de Jesus, fechavam-se em seu ceticismo e se recusavam a reconhecer, no Mestre, a ação amorosa do Pai. Por essa sua atitude, escribas e fariseus privavam-se de participar deste amor misericordioso.
- Pe. Jaldemir Vitório -

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terça-feira, 17 de julho de 2012

O servo escolhido

Na tentativa de compreender a ação misericordiosa de Jesus em favor das multidões, acolhidas e curadas por ele, a Igreja primitiva recorreu a um texto do profeta Isaías, conhecido como “o primeiro canto do Servo de Javé”. Até hoje, não se sabe ao certo a quem o profeta se referia. Em todo caso, o Servo foi apresentado como alguém muito querido por Deus, a cujo serviço se colocou totalmente. Sua missão consistiu em implantar o projeto de Deus na Terra, de modo que a justiça imperasse no mundo inteiro. A humildade e simplicidade do Servo fizeram dele um ser pacífico, que não escolheu o caminho da violência para realizar sua missão. Ele foi discreto. Não realizou suas obras com estardalhaço, para ser notado. Foi compassivo e bondoso com as pessoas, especialmente, as mais fracas, e jamais decepcionou ninguém. Enquanto houvesse um fiozinho de esperança, o Servo não se desesperava. Se a cana estava rachada, acreditava na possibilidade de recuperá-la. Se a mecha ainda estava fumegante, acreditava na possibilidade de ainda obter uma labareda e não a apagava. A justiça acontecia, portanto, no respeito ao fraco e não eliminando-o. O Servo, assim pensado, tornava-se digno da confiança de todos os povos.
O caminho escolhido por Jesus para realizar sua missão foi o mesmo do Servo. Sem triunfalismo, ele soube levar os pobres a recuperar a esperança.

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O amor maior

A ação missionária exige do apóstolo muita coragem e perseverança. As dificuldades e perseguições surgirão a partir de seus próprios familiares. Esses serão os primeiros a rejeitá-lo. Entretanto, o anúncio do Reino não pode ficar à mercê do humor desses familiares. A fidelidade ao Reino, em algumas circunstâncias, exigirá rupturas. O Reino deve nortear também as relações familiares.
O apóstolo ama o Reino com um amor maior. Por amor, torna-se capaz de assumir sua missão até as últimas consequências, até mesmo a morte. Ele tem consciência de que aí se joga sua salvação e sua condenação. A busca medrosa de querer proteger-se e poupar-se, poderá levá-lo à condenação, pois, para isso, terá que abrir mão da causa de Jesus. A predisposição de perder a vida, por causa do Reino, gera salvação.
O testemunho dado a favor de Jesus e de seu Reino, diante das pessoas, terá como contrapartida o testemunho que ele dará em favor do apóstolo diante do Pai. O amor ao Reino, portanto, só é verdadeiro quando se torna absoluto no coração do discípulo de Cristo.
- Pe. Jaldemir Vitório -

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Colaboradores de Deus

O povo de Deus, em busca de prosperidade material, esquecera-se de volver o pensamento e a prece ao Deus do céu e a da terra, para seguir a Baal, que representava o culto da natureza. As promessas feitas por Deus, também de prosperidade material, haviam sido esquecidas. O livro de Oséias 2,16-22, tem por isso, uma mensagem de extrema atualidade para os homens de nosso tempo.
Baal pode hoje representar certo domínio do homem sobre a natureza, enquanto pode ser tão alienante como o era a medrosa submissão do homem pré-técnico a esta mesma natureza. Vê-se isto com clareza no universo unidimensional construído pela sociedade do lucro e do materialismo.
O cristão que, como os demais homens, se sente comprometido a colaborar para melhorar o mundo e melhorar a terra, fá-lo com um espírito particular: sente-se colaborador de Deus e orienta para ele seus pensamentos e sua vida.

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Dispostos a seguir Jesus

O seguimento de Jesus tem seus pré-requisitos. Além da disposição de tornar-se discípulo, é preciso saber o que o seguimento exige de cada categoria de pessoas. O Evangelho(Mt 8, 18-22)refere-se ao caso de um escriba e de um discípulo. São dois exemplos ilustrativos do que se passa com quem se predispõe a seguir Jesus.
O mestre da Lei judaica é advertido para não tomar uma decisão apressada e superficial. Talvez confundindo Jesus com os rabinos da época, não tinha consciência de um dado importante: para seguir o Mestre Jesus era preciso estar pronto para abraçar a pobreza e o despojamento. Seria ilusório escolher segui-lo, pensando em poder levar uma vida de bem-estar e segurança. As exigências da pobreza deveriam ser previamente conhecidas e aceitas.
Quanto ao discípulo, parece não ter-se dado conta das reais exigências de sua opção. Por isso, pede ao Mestre para interromper sua missão e voltar para casa, a fim de cumprir seu dever de filho, e dar uma sepultura digna a seu velho pai. O pedido não é aprovado, pois, na família, deve haver quem se preocupe em fazer este gesto de misericórdia.

Qualquer que seja a questão, Jesus pensa o discipulado como uma escolha coerente, total e radical, feita para toda a vida, e que se torna a opção fundamental do discípulo. Diante dela, tudo é relativizado, mesmo as coisas mais caras ao ser humano.
- Pe. Jaldemir Vitório -

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus Christi

Quando o povo da antiga aliança atravessou o deserto, rumo à terra prometida, Deus fez cair do céu o maná, para que não morresse de fome. Com sua vida, morte e ressurreição Jesus Cristo suscitou o Povo da nova aliança. Neste novo Povo Deus derrama o Espírito Santo e o alimenta com o verdadeiro pão do céu: a Eucaristia.

Na festa do Corpo e do Sangue de Cristo, costuma-se prolongar a ação de graças da Celebração Eucarística em espaço público, em forma de procissão. É a manifestação pública da fé na Eucaristia. É o reconhecimento do que Jesus Cristo fez por nós, doando a si mesmo ao Pai pela nossa salvação e entregando-se a nós como ceia mística: “Tomando um pão, deu graças, o partiu e o deu dizendo: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós. Igualmente tomou a taça depois de cear e disse: Esta é a taça da nova aliança, selada com meu sangue, que é derramado por vós”(Lc 22,19-20).
Ao celebrar a doação de Cristo, recordamos do que Ele disse: “Eu vos dei o exemplo, para que façais o que eu fiz” (Jo 13, 15). Por isso, a festa de Corpus Christi é convite para gestos de amor, de busca da superação de ódios e de conflitos de poder. O povo alimentado pela Eucaristia anseia pela unidade em Cristo e pela solidariedade e a paz.
- Dom Aloísio Sinésio Bohn -

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fonte de alegria indizível e gloriosa

A Igreja, que realiza na esperança sua peregrinação rumo à meta da pátria celeste, sabe que a vinda do Messias não se verificou na forma como o esperavam os judeus, como juiz da sanções e vingador do povo eleito.
O mundo novo ela espera, renascimento originado do povo eleito. O mundo novo que ela espera, renascimento originado da ressurreição de Cristo dentre os mortos, está no termo de uma lenta maturação da Palavra de amor nos corações. Cristo manifestou em si esse crescimento, que lhe mereceu triunfar sobre a morte. Tal crescimento, que se verifica em todos os cristão, expostos agora à mesma prova, garante-lhes a herança a glória e à humanidade sua total regeneração.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Mostra-nos o Pai

O diálogo com os discípulos (Jo 14,7-14) torna-se mormente delicado quando Filipe, falando em nome dos demais, pede a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta!” Pedido ousado, se considerarmos que a piedade bíblica excluía qualquer possibilidade de alguém ver Deus e permanecer vivo. Por isso, todos os relatos de manifestação de Deus – teofania – revelam que a pessoa que contempla a glória divina fica tomado de pavor, diante da possibilidade de morrer. Como, então, os discípulos de Jesus ousavam querer ver o Pai?

O Mestre procura levá-los a pensar a questão de maneira correta, numa perspectiva nova. Os discípulos esperavam uma teofania, no melhor estilo das teofanias do Antigo Testamento. Jesus, porém, intervém com algo muito mais simples. Coloca-se a si próprio como mediação da visão do Pai: “Quem me viu, viu o Pai! Você não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim?”.

A visão do Pai era a coisa mais desejada pelos discípulos. Bastaria dar um salto de qualidade para descobrir, na pessoa de Jesus, o rosto do Pai. E, para isso, era mister nutrir por Jesus fé idêntica à dedicada ao Pai. Sem uma fé verdadeira eles estariam privados da visão do Pai, ou continuariam a querer vê-lo, mas de maneira totalmente incorreta. A única forma de ver Deus Pai consiste em contemplá-lo na pessoa de Jesus.

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Eu venci o mundo!

O mundo, entendido como força de oposição a Jesus e empecilho para a realização de sua obra, está em contínuo conflito com o Filho de Deus. Em todo o seu ministério houve uma luta ininterrupta com o mundo.
Desde o início, este procurou desconhecer a Palavra revelada por Jesus. Também cultivou um terrível ódio contra ele, porque desmascarava a malícia de suas obras. O mundo maquinou a morte de Jesus, arregimentando todos os inimigos e tentando convencê-los de que o Mestre era um blasfemo e inimigo da nação. Ademais, o mundo assumiu a postura ridícula de reconhecer o imperador romano como rei, porque isto lhe convinha para confirmar a sentença capital contra o enviado de Deus.

O mundo encarna o poder das trevas, da morte, da mentira e do pecado. Por isso, não podia chegar a um acordo com quem era luz e tinha por missão gerar vida e verdade e, assim, fazer a graça divina jorrar sobre toda a humanidade. Mas, a cegueira apossou-se do mundo, impedindo-o de chegar à verdade. Sua auto-suficiência fê-lo desprezar a oferta divina de salvação, proclamada pelo Filho de Deus.
Jesus tem consciência de ter vencido o mundo, embora tivesse de passar pela morte de cruz. Sua vitória resultou da ação conjunta com o Pai. Afinal, ao se levantar contra Jesus, o mundo se insurgia contra o próprio Deus. Seria ingenuidade ter a pretensão de vencê-los!

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e renova a face da terra!

terça-feira, 15 de maio de 2012

A volta para o Pai

A existência de Jesus pode ser definida como uma longa caminhada cujo ponto de partida e de chegada é o Pai. Saiu de junto do Pai e veio ao mundo. Ao concluir sua missão, regressou para junto dEle, e, com Ele, está em perfeita comunhão.
Jesus veio da parte do Pai, na condição de enviado. Este é um dado fundamental de sua identidade e de sua ação. Caso contrário, toda a sua aspiração não teria sentido, e suas palavras cairiam no vazio. Suas palavras e seu testemunho tinham valor em vista de sua condição de Filho de Deus.
O mundo foi a meta da vinda de Jesus. Afinal, ele veio para salvar o mundo de seus pecados, fazendo jorrar vida abundante onde imperava a morte. Veio para fazer brilhar a luz da verdade libertadora onde imperavam as trevas do pecado.
Uma vez concluída a sua missão, o Filho de Deus volta e presta contas a quem o enviou. Jesus tem consciência de ter cumprido fielmente a missão recebida. Por sua fidelidade, tornar-se-á o grande intercessor dos discípulos junto do Pai. Doravante, eles deverão dirigir-se ao Pai, invocando o nome de Jesus, para serem sempre atendidos.


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quinta-feira, 10 de maio de 2012

O testemunho do Espírito

Uma das funções do Espírito da Verdade é a de dar testemunho de Jesus. Sua ação em favor dos discípulos consiste em convencê-los da veracidade da pessoa e dos ensinamentos do Mestre. O conteúdo do seu testemunho será o próprio Jesus.
Tal testemunho faz-se perceptível na própria ação dos discípulos. Pelo fato de o Espírito manter sempre viva no coração deles a imagem de Jesus, estão em condições de mostrar a todos a verdade do Filho de Deus, que veio armar sua tenda no meio da humanidade carente de salvação. A ação do Espírito da Verdade predispõe os discípulos a enfrentar a perversidade do mundo, sem se intimidarem.

O testemunho do Espírito supõe do discípulo total discernimento e docilidade para acolhê-lo, pois ele o recebe em meio a hostilidades que, muitas vezes, o impedem de captar com clareza a moção do bom Espírito. Só com muito discernimento e disposição para deixar-se guiar pelo Espírito, é possível manter-se fiel a Jesus.

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terça-feira, 8 de maio de 2012

Escolhidos do mundo

O evangelho refere-se ao "mundo" como se fosse uma pessoa. Neste sentido, pode-se falar em ódio e perseguição, bem como amor por parte do mundo. Ou então, que os discípulos foram escolhidos do meio do mundo. Pode ainda referir-se à possibilidade de o mundo guardar a palavras de Jesus e as dos discípulos.
O vocábulo "mundo", neste caso, engloba o conjunto das pessoas incrédulas que foram incapazes de reconhecer Jesus como Filho de Deus, enviado pelo Pai com a missão de salvar a humanidade. Mas estas pessoas odiaram-no ferozmente, a ponto de decidirem eliminá-lo sem piedade. Optaram pelas trevas e rejeitaram a luz oferecida por Deus, persistindo no pecado, mesmo diante da abundância das graças divinas.

Os discípulos foram arrancados deste mundo. Por causa do nome de Jesus, caminham na contramão do mundo. Esse confronto resulta sempre em ódio e perseguição. O destino do servo não difere daquele do seu Senhor. É por isso que os discípulos deverão contar com toda sorte de adversidade, sem excluir a possibilidade de morrer, como aconteceu com seu Mestre.

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Um dia para o Senhor

Reuniões, encontros e "assembléias" de toda espécie se verificam na vida política, social, cultural e religiosa. Em toda sociedade religiosa há reuniões periódicas consagradas a celebração do culto.

Que sentido tem a assembléia cristã dominical?
Frequentemente nossas assembléias dominicais são privadas de atrativo e vida; o povo se deixa dominar pelo tédio e não vê a hora em que terminem. Falta-hes alegria, uma paixão interior que dê unidade à assembléia, que a faça vibrar. Parece mais uma assembléia de pessoas constrangidas que de voluntários reunidos por uma necessidade profunda de encontro.
No entanto, surgem experiências novas de assembléia dominical em que se sente verdadeiramente a comunidade, percebem-se suas aspirações, o gosto de vibrar juntos, de viver juntos, de comunhão profunda, de sintonia com a Igreja e com as necessidades do mundo.

Devemos convencer-nos de que nossa assembléia dominical realiza valores absolutamente inéditos. Não é antes de tudo uma reunião obrigatória, nem uma reunião de ensinamento ou de oração, mas principalmente o sinal visível da reunião de todos os homens, para a qual convergem oração, ensina­mento, dever; reunião de um povo "que de um extremo ao outro da terra oferece ao vosso nome o sacrifício perfeito".
É o "sinal" da presença do Senhor ressuscitado, e este comunica e imprime à assembléia seu dinamismo, sua alegria, sua vitalidade irradiante de testemunho.
Se saímos da assembléia dominical com o coração frio, tal como entra­mos, é sinal de que faltou algo de essencial. De que, ao menos em parte, a assembléia falhou.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

O pastor das ovelhas

Jesus serviu-se da metáfora do pastor para explicitar que tipo de relação desejava estabelecer com seus discípulos. Queria superar os esquemas bem conhecidos na época, pelos quais os mestres tornavam-se verdadeiros tiranos dos discípulos. Sua intenção era ser um mestre diferente. Como?
Sendo um mestre legítimo, seria como o pastor que entra pela porta do curral, estabelecendo um relacionamento cordial e amigo com seus discípulos, imitaria o pastor que conversa com suas ovelhas, chama-as pelo nome e as trata com carinho, pois sua função é cuidar delas. Conduzindo os discípulos de maneira segura, para evitar extravios, assemelhar-se-ia ao pastor que se coloca à frente do rebanho. Suas ovelhas o seguem, sem hesitar, por reconhecerem a voz de seu guia. Defendendo seu rebanho dos perigos e das ciladas que a vida lhes prepara.
Os mercenários, nos momentos de perigo, deixam as ovelhas entregues a si mesmas. Agem assim, porque são mercenário, incapazes de arriscar suas vidas para defender o rebanho. Jesus, pelo contrário, defenderá os seus discípulos, até o extremo, mesmo tendo de entregar sua própria vida. Portanto, é mais prudente deixar-se guiar por um tal pastor.

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terça-feira, 24 de abril de 2012

O tripé da fé

Há três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e a perseverança à virtude. São elas: a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.
O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia.
O jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.
- Dom Anuar Battisti -

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